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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quando Menino Fala de Coisas que Adulto Gagueja.

Desde o comecinho das tiras, em 1996, Lucas (nosso protagonista mudo) fala alto sobre assuntos que muita gente grande acredita delicados demais. Ou de assuntos que os adultos preferem não falar porque acham complicados demais para explicar ou porque, simplesmente, preferem criar a meninada num mundo de fantasia que consideram mais seguro ou mais de acordo com os SEUS pontos de vista... Adultos costumam dizer por aí que querem preservar a inocência das crianças (eles confundem a inocência da meninada com a própria estupidez e esquecem que inocência, que significa ausência de culpa, nunca deveria ser confundida com ignorância - culpa talvez daquela estória do casal, da serpente e da maçã...) E mantém uma redoma de fantasia cor-de-rosa (ou azul-bebê, se você não curte cor-de-rosa) onde não existem diferenças sociais, nem preconceito, nem hipocrisia, nem nenhuma outra "diferença" que lhes façam refletir sobre seus próprios valores. Alguns adultos fazem assim acreditando de todo coração que estão fazendo o melhor. Vá entender!

Tirinha publicada em jornais no dia 22 de Janeiro de 1997.
E a turma começou a falar de inclusão social, antes do assunto virar modinha. E trouxe crianças com deficiência auditiva, visual, mental ou física, filhos de casais separados e meninos que dormem nas ruas para protagonizar aventuras de todo tipo, num tempo em que, na imensa maioria das histórias infantis, todo mundo parecia ser de uma classe média de propaganda de margarina.

Tirinha publicada em jornais no dia 10 de Outubro de 2003
De repente, o Leandro, que é judeu, começou a falar de tolerância religiosa. Mesmo num tempo em que tantos religiosos mais barulhentos que a Carolina, se mostram tudo, menos tolerantes. E Martin e Winnie passaram a alfinetar e a sofrer com a ausência do pai que (na  busca por dar segurança aos filhos) vive para o trabalho. Veio o Caio, em sua cadeirinha de rodas, criticar as dificuldades de acessibilidade e a acomodação dentro das escolas. E veio o Caju, esfregar a homofobia na cara de quem achava que não tinha preconceitos...

Projeto premiado pela Fundação Pedro Calmón - BA e lançado um dia depois q a presidenta vetou o kit contra homofobia, em 2010.


Afinal, é para isto que criança nasce, para esfregar um futuro novo, sem os preconceitos e tantos vícios do passado, em nossas caras. Quem sabe assim, porque talvez somente assim, a gente enxergue como fazer um mundo melhor?

(Mais tarde eu conto a história -real - de quando eu fui acusado de racismo e fui depor no Ministério Público. Daquelas histórias muito chatas que parecem piada, sabe?)


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