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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Homossexualidade e Outros Tabus em Quadrinhos.

Acabei de chegar de uma entrevista (na verdade 3, foram 3 turmas de "entrevistadores”) com a 6ª Série de um dos mais importantes colégios particulares de Salvador, o Isba. Dezenas de meninos e meninas na faixa dos 12 anos. Exatamente aquela idade em que começamos a perceber o próprio crescimento e a antever as responsabilidades e intolerâncias do mundo adulto que nos espera (e tantas vezes já nos devora e regurgita para tornar a nos engolir).

Entre as perguntas de sempre (o que me inspira, quem me influencia, como eu comecei, por que tantos personagens com alguma necessidade especial, etc, etc...), me surpreendeu a insistência, em todas as turmas, de uma em particular: "Você pensa em criar um personagem gay?” É o tipo de pergunta que gosto. Mostra inquietação, vontade de saber mais do que costumam nos dizer. É pergunta daquelas que mexem com tabus para os quais a maioria de nós não sabe a quem fazer em casa.

Respondi sorrindo e sincero, todas as vezes, que minha turma tem cerca de 30 crianças (além de alguns adultos), quem disse que eu já não tenho um - ou mais de um - personagem homossexual? O que significa ser homossexual? Será que dá, realmente, para identificar, numa história em quadrinhos, uma pessoa homossexual sem cair na caricatura? E como agiria um personagem gay de 7 ou 10 anos de idade já que, nesta fase, tantas vezes, a pessoa sequer tem realmente certeza do que é? E, quando tem, já percebe o tanto de preconceito que vai ter que encarar? Conheço meninos que sacaram, ainda bem novinhos. A maioria escondeu até quando não suportou mais a barra de fingir, outros assumiram e aprenderam a lidar, infelizmente, com o preconceito e a rejeição que ainda persiste.

Sei que os adolescentes que me fizeram esta pergunta estão, como disse, no momento de – mais do que descobrir o mundo – descobrir a si próprios, de pesar os valores que lhe são passados pela família, pela mídia, pelas igrejas e saber quais desses carregar consigo... E sei que muitos pais devem ficar chocados ao ler isto aqui e perceber que seus filhos estão crescendo e lidando com temas que, muitos desses pais, tem horror (por mais imbecil que este horror seja) de abordar. Entre esses temas, o fato de que seu bebê está crescendo e – mais do que virando homem ou virando mulher – virando gente.

Sobre quem seria gay na minha turminha, não me preocupo nadinha com isso. Prefiro curtir a infância deles, porque esta passa rápido demais. E espero que quando um ou outro (ou outra) se revelar diferente do que você imaginava (eu, não, porque não me dou a ousadia de projetar nada para meus filhos), que você – leitor/a – já tenha aprendido a amá-lo/a do jeitinho humano que ele/a é e eu já amo: Sem rótulos. A homossexualidade, pra mim, é tão normal e bela quanto a heterossexualidade e são, ambas, manifestação natural da expressão humana.

E, se você pensa diferente a respeito disso, pode espernear, mas não vai me convencer do contrário nem mudar a vida, como ela é.



Ah! E minhas tiras não vão responder a este tipo de perguntas, como outros tantos pais gostariam. Não sou eu (ou ninguém) que vai tirar o de vcs da reta. ;)
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